Documento produzido pela ONU alerta para os riscos das mudanças climáticas: furacões, secas, enchentes, extinções em massa e aumento no nível do mar global. Objetivo é limitar o aquecimento a 1,5°C

A publicação do documento Global Warming of 1.5 °C representa um dos mais fortes diagnósticos sobre os riscos do aquecimento global para o planeta e para a vida humana. O relatório de 400 páginas produzido pela Organização das Nações Unidas (ONU) enfatiza que precisamos limitar a elevação da temperatura da Terra em, no máximo, 1,5°C em relação ao período pré-industrial. E que o prazo para isso está acabando.

A conclusão do documento é de que as emissões de dióxido de carbono resultantes da atividade humana terão que cair em 45% até 2030 e zerar até 2050 e que isso exigirá “mudanças de longo alcance e sem precedentes” no comportamento humano.

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Limitar o aquecimento global a 1,5°C e impedir que ele chegue a 2°C terá um impacto profundo na Terra. Se o planeta aquecer 2°C ou mais, a elevação global do nível do mar em 2100 será 10 centímetros maior do que a 1,5°C. A preservação dos recifes de corais também depende disso: se com o globo 1,5°C mais quente, entre 70% a 90% deles irão desaparecer, a 2°C, eles serão praticamente extintos.

“Uma das principais mensagens enfatizadas fortemente neste relatório é que já estamos vendo as consequências do aquecimento global de 1°C, como eventos climáticos mais extremos, elevação do nível dos oceanos e degelo no Ártico, entre outras mudanças”, disse Panmao Zhai, presidente de um dos grupos de trabalho do Painel Internacional de Mudanças Climáticas (IPCC), no lançamento do relatório.

Em seu perfil no Twitter, o secretário-geral da ONU, António Guterres, afirmou estar otimista em relação às ações humanas para reverter o cenário apresentado pelo relatório. “Mas isso exigirá uma ação climática coletiva e sem precedentes em todas as áreas. Não há tempo a perder”, afirmou na rede social.

Acordo de Paris e as consequências de um planeta mais quente

Além das evidências apresentadas no documento, o alto escalão da ONU também alerta para o perigo do aquecimento global, sobretudo para a vida humana, e que as consequências já podem ser notadas desde já.

“A mudança climática está tendo – e terá – efeitos devastadores em uma ampla gama de direitos humanos, incluindo direitos à vida, saúde, alimentação, moradia e água, bem como o direito a um ambiente saudável”, disse David Boyd, relator especial da ONU para direitos humanos e meio ambiente, na sede da entidade, em Genebra, Suíça. “O mundo já está testemunhando os impactos da mudança climática: de furacões na América, ondas de calor na Europa, secas na África e enchentes na Ásia”, completou.

“Pequenos Estados insulares, a região do Mediterrâneo e também a África subsaariana já estão sofrendo e sofrerão mais no futuro”, corroborou Petteri Taalas, secretário-geral da Organização Meteorológica Mundial (OMM), em Genebra. “Haverá 420 milhões de pessoas sofrendo menos por causa da mudança climática se pudermos limitar o aquecimento a 1,5°C, e temos certas áreas no mundo que são extremamente sensíveis”.

A ONU reitera que o cumprimento das metas estabelecidas pelo Acordo de Paris é fundamental para garantir o futuro do planeta. Adotado em dezembro de 2015 por 195 nações, o compromisso tem como foco o clima e como maior objetivo fortalecer a resposta global à ameaça da mudança climática. Em Genebra, Petteri Taalas reconheceu que “até agora o progresso não tem sido bom o suficiente” e pediu “extrema urgência” nas ações de seus signatários.

Em 2017, os Estados Unidos anunciaram a saída do país do acordo, que será concretizada em 2020 – é, até agora, a única nação a abandoná-lo.

 

Conteúdo publicado em 21 de novembro de 2018

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