Plástico substitui metal, vidro e papel ou papelão e colabora com a redução de 58% na geração de resíduos sólidos nos Estados Unidos, afirma trabalho do City College of New York

A introdução e popularização do plástico como principal matéria-prima da indústria nas embalagens teve um impacto ambiental positivo em relação à redução da produção de resíduos sólidos urbanos. A conclusão é do estudo científico produzido pelo Earth Engineering Center do City College of New York (EEC|CCNY).

De acordo com o trabalho, o plástico é um dos principais responsáveis pelo declínio das taxas de produção de resíduos sólidos urbanos nos Estados Unidos (em volume e em peso), ainda que o consumo e a renda tenha aumentado. Os pesquisadores observaram que a geração de lixo começou a desacelerar no fim dos anos 1990, ainda que fosse um período de desenvolvimento econômico no país. O artigo argumenta que por causa do plástico, mais leve e flexível que outros materiais usados nas embalagens, os consumidores descartam menos resíduos.

No mesmo momento histórico, entretanto, houve a consolidação do plástico como matéria-prima mais usual no desenvolvimento de diversos produtos e de embalagens, em substituição a outros materiais. Este processo, no qual há crescimento econômico ao mesmo tempo em que ocorre queda na produção de resíduos, é conhecido como “desacoplamento”.

O trabalho dos cientistas do EEC indica que a quantidade total de plásticos eliminados como resíduos sólidos urbanos aumentou em larga escala, mas conclui que isto ocorreu exatamente porque a substância substituiu vidro, papel, papelão e metais em diversos produtos de consumo: entre 1960 e 2013, os resíduos plásticos aumentaram 84 vezes, mas o total dos resíduos urbanos, apenas 2,9 vezes. O resultado dessa equação, defende o artigo, é uma redução geral de peso e volume dos resíduos sólidos urbanos da ordem de 58% no mesmo período.

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Estudo de cenários demonstra impacto potencial dos plásticos

No estudo da City College of New York, foram avaliados diversos cenários nos quais os plásticos foram substituídos por outros materiais a fim de medir o impacto potencial de cada um deles na geração total de resíduos em todo território norte-americano – os cenários foram testados a partir de um programa de computador.

Quando avaliados os bens de consumo, foi identificado que a substituição de plásticos por metais, vidros e papel ou papelão aumentaria a geração de resíduos em 3,2 vezes em média. Quando a avaliação mediu a produção específica de embalagem, o resultado foi ainda mais nítido: 4,5 vezes mais lixo do que com o uso do plástico.

Um outro estudo científico, realizado pela American Chemistry Council (ACC), chegou a uma conclusão similar. O levantamento demonstrou que 2 mil sacolas plásticas pesam, em média, 13,6 quilos, enquanto a mesma quantidade de sacos de papel apresentam 127 quilos. Portanto, o uso do plástico se justifica por si só na composição mais leve do material, mas também no impacto em toda cadeia produtiva – para cada caminhão que transporta sacolas plásticas é preciso sete caminhões que transportem sacos de papel.

Do ponto de vista da reciclagem, o trabalho da ACC também aponta que a indústria de transformação consome 91% menos energia e 80% menos resíduos ao trabalhar com a mesma quantidade de plástico em relação ao papel.

“A indústria vem trabalhando intensamente de forma responsável e transparente, além de seus limites produtivos, para mostrar à sociedade todos os benefícios e valores do plástico. Embora estes resultados quebrem paradigmas e atestem mais esta vantagem dos plásticos, continuamos focados na atuação pela educação ambiental, através do seu consumo consciente, descarte correto e reciclagem”, analisa Miguel Bahiense, presidente da Plastivida Instituto Socioambiental dos Plásticos.

 

Conteúdo publicado em 5 de novembro de 2018

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