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O projeto, chamado Bamboo Sports Hall, foi baseado na flor de lótus e usa ensinamentos budistas para infundir valores humanos, ao mesmo tempo em que trabalha com currículo educacional britânico

A Panyaden International School está situada na cidade de Chiang Mai, no norte da Tailândia. Sua filosofia educacional trabalha valores humanos, como o amor à natureza, ao mesmo tempo em que incorpora disciplinas e métodos da educação formal britânica, com currículo internacional e competitivo.

Toda a escola foi construída apenas com materiais naturais para aproximar as crianças da natureza e mostrar-lhes que estes materiais possuem qualidade e eficiência muitas vezes maiores que os materiais de construção comuns, pois mantêm os ambientes frescos e agradáveis. Além disso, com essas técnicas, foi possível reduzir a pegada de carbono das construções em 90% em comparação com as técnicas padrão de construção.

O Bamboo Sports Hall

Como o clima na região é bastante quente e úmido, foi necessário construir uma arena esportiva protegida. Assim, o Bamboo Sports Hall foi desenvolvido pelo escritório de arquitetura Chiangmai Life Architect e combina material natural, design orgânico moderno e engenharia do século XXI.

O salão é o grande destaque arquitetônico da Panyaden International School e ocupa uma área de 782 m² e tem capacidade para 300 alunos. O edifício integra-se suavemente com os prédios antigos de barro e de bambu da escola Panyaden, bem como com a paisagem montanhosa natural da área.

“O bambu é uma ótima escolha para esse tipo de construção, por possuir propriedades estruturais de tensão superiores às do aço”, ressalta Brianna Bussinger, arquiteta e co-fundadora da Encaixe Soluções Alternativas. Brianna trabalhou em 5 países na Ásia, África e Oceania desenvolvendo projetos arquitetônicos com foco em desenvolvimento sustentável.

Para ela, a repetição de treliças e pilares é a alma do projeto e, graças a esse design, eles se fundem em um só objeto. “As diagonais e os montantes das treliças são feitos de um bambu de diâmetro grande, com propriedades estruturais naturais, enquanto os banzos são construídos a partir da composição de um emaranhado de bambus de diâmetro bem menor, amarrados com corda, o que os transforma em pilares robustos e altamente resistentes.”

As treliças de bambu pré-fabricadas foram desenvolvidas recentemente, com uma extensão de mais de 17 metros sem reforços ou conexões de aço. As treliças foram pré-construídas no local e levantadas em posição com a ajuda de um guindaste. A obra suporta ventos de alta velocidade e terremotos.

Pegada de carbono zero

A pegada de carbono do Salão de Esportes de Panyaden é zero. O bambu usou carbono absorvido em uma extensão muito maior do que o carbono emitido durante o tratamento, transporte e construção. O material foi bem selecionado a partir da idade e tratado com sal de bórax. Nenhuma substância química tóxica estava envolvida no processo de tratamento. Espera-se que a expectativa de vida do salão de bambu seja de pelo menos 50 anos.

“Compõe-se assim um ritmo orgânico e cor amarelada, resultando em um ambiente interno extremamente acolhedor. Por se tratar de um material mais leve e flexível que o convencional, possibilita explorar aberturas do tipo ‘clarabóias laterais’ que se assemelham a uma espécie de olho. Nesse caso em particular o telhado se apresenta em 3 níveis, garantindo iluminação e ventilação naturais ao espaço interno”, completa Brianna.

O Centro Esportivo abriga quadras de futsal, basquete, vôlei e badminton, além de um palco que pode ser levantado de forma automática. O pano de fundo do palco é a parede de um depósito para equipamentos esportivos e de teatro. Em ambos os lados, as varandas oferecem espaço para que os pais e outros visitantes observem eventos esportivos ou shows. O design e material permitem um clima fresco e agradável durante todo o ano através de ventilação natural e isolamento térmico.

Por que o método não é mais popular?

Mas, se é tão conveniente, por que não temos mais construções em bambu no Brasil e no mundo? “Falta de mão de obra especializada e fornecimento de matéria prima com tratamento adequado. Na Ásia, os arquitetos e designers estão à frente do projeto e da construção, além disso, os profissionais da equipe de construção trazem para a obra um conhecimento tradicional de trabalho com o material. Ao se somar a ciência ocidentalizada da arquitetura com o trabalho e a sabedoria cultural do artesão, que possui técnicas construtivas bem consolidadas com o material, o resultado é um impecável, deslumbrante e funcional.”

 

Conteúdo publicado em 11 de outubro de 2018

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