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Carros, ônibus e caminhões elétricos se ligam a trilhos que recarregam suas baterias; com sistema instalado, custo de ampliação é de 1 milhão de euros por quilômetro

Um trecho de dois quilômetros entre o Aeroporto de Arlanda, em Estocolmo, na Suécia, e um centro de logística a 30 minutos dali é a primeira rodovia elétrica do mundo. Chamada eRoadArlanda, a estrada recarrega veículos elétricos em movimento a partir de trilhos eletrificados e integrados na pista. Os carros se ligam aos trilhos por braços móveis.

“Com estradas elétricas como a eRoadArlanda, a Suécia pode reduzir suas emissões de dióxido de carbono em 80% ou 90%. E podemos fazer isso apenas complementando uma estrutura já existente”, explicou, em comunicado, a operadora de rodovias suecas. Isso explica o custo baixo de instalação e operação do sistema: até o momento, o investimento foi de 6,4 milhões de euros (R$ 27,15 milhões) e a previsão é de que cada novo quilômetro custe 1 milhão de euros (R$ 4,25 milhões).

A novidade é mais uma medida do país nórdico para cumprir com suas metas de desenvolvimento sustentável. A Suécia estabeleceu, como objetivo, até 2030, atingir independência de combustíveis de origem fóssil, reduzindo seu uso em 70% no setor de transportes. O objetivo até 2050 é eliminar, completamente, o consumo desse tipo de combustível.

Hoje, estima-se que 33% das emissões de carbono do país tenham origem no tráfego rodoviário. Com o modelo adotado na eRoadArlanda, o Estado sueco prevê que, em dez anos, dois terços das estradas serão elétricas. Com isso, a redução no consumo de energia será da ordem de 3 milhões de toneladas de combustível até 2030.

Como funciona a estrada elétrica?

Não há grande mudança na aparência da rodovia, a novidade é apenas um par de trilhos instalados no nível da pista – de forma parecida com um autorama. A estrada apresenta sensores de movimento e percebe quando os veículos elétricos estão sobre a via, assim, trechos de apenas 50 metros são eletrificados por vez, reduzindo o consumo geral de energia.

A conexão entre carro e trilho é feita por um braço móvel instalado no veículo. Quando o motorista quer ultrapassar outro veículo, o braço se desconecta da via, o carro passa a funcionar com energia da bateria e a ultrapassagem é feita. Assim que o veículo volta à faixa com os trilhos elétricos, o carro se reconecta e volta a carregar as baterias.

Os cidadãos que quiserem usar o serviço devem se cadastrar em um sistema que garante o reconhecimento do veículo. Assim, a rodovia identifica esse veículo, eletrifica a parte certa da rodovia e calcula o consumo de energia individual, que é cobrado no fim do mês.

O futuro do carro elétrico

A tecnologia da estrada elétrica deve ser fundamental para a popularização dos veículos elétricos no país. Com ela, carros e caminhões vão se tornar mais leves e baratos. No caso de um caminhão pesado e 100% elétrico, por exemplo, calcula-se que seja necessária uma bateria de 40 toneladas para fazê-lo rodar com a autonomia padrão. Com estradas como a eRoadArlanda, seria possível produzi-los com baterias de 600 quilos.

Na Suécia, há cerca de 500 mil quilômetros de rodovias. Um estudo de viabilidade do projeto mostra que basta implantar o sistema elétrico em 20 mil quilômetros para que todos os veículos elétricos do país possam trafegar sem abastecimento em postos especializados. A agência rodoviária sueca, agora, está trabalhando no mapa de expansão da rede.

E não há razão para se preocupar com a segurança dos trilhos eletrificados. “Não há eletricidade na superfície da via”, disse Hans Säll, diretor executivo da eRoadArlanda, em entrevista ao jornal The Guardian. Ou seja, não há riscos para a segurança de pessoas e animais. “A eletricidade fica cinco ou seis centímetros abaixo do nível da estrada. Mesmo se você inundar a rodovia com água salgada, comprovamos que o nível máximo de eletricidade seria apenas um volt. Você poderia até andar descalço”, concluiu.

Conteúdo publicado em 7 de maio de 2018

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