Voo aconteceu em Baltimore, no estado de Maryland, nos Estados Unidos - aparelho de oito rotores e sistema próprio de armazenagem para o órgão foram usados

Poucas tecnologias são tão versáteis quanto os drones. Esses pequenos objetos voadores, controlados remotamente ou autônomos, são amplamente usados por indústrias tão distintas quanto a da construção civil, do cinema e de petróleo e gás, além de colaborarem com mapeamentos para a agroindústria e com esforços de resgate em áreas atingidas por tragédias. Mais recentemente, gigantes do comércio, como a Amazon, testaram sistemas de entrega de produtos usando drones e até pizzarias já recorreram à tecnologia para fazer delivery.

Em abril de 2019, porém, um novo e inédito uso foi dado ao drone: o de transportar um órgão para transplante. Segundo o MIT Technology Review, uma publicação do Massachusetts Institute of Technology, o feito aconteceu em Baltimore, no estado de Maryland, na região nordeste dos Estados Unidos. O órgão, um rim, voou 4,8 km a bordo de um aparelho de oito rotores que decolou de um hospital regional para o Centro Médico da Universidade de Maryland, referência estadual em transplantes.

Tudo foi preparado para preservar, ao máximo, o tecido. Um receptáculo próprio foi criado pelos especialistas da universidade para proteger o rim das vibrações e solavancos naturais do voo, e manter o órgão na temperatura e pressão ideais. A receptora do órgão, uma mulher de 44 anos, passou pela cirurgia, teve alta, e hoje vive com um rim que voou de drone.

Drone para transplante de rim. Crédito: Divulgação/Amazon Prime

Os drones de Gana

Embora esta seja a primeira vez que um órgão para transplante voa de drone, não é a primeira vez que o setor de saúde e medicina recorre à tecnologia. Em Gana, por exemplo, um país na África ocidental, funciona a maior rede de drones médicos do mundo. Segundo a agência de notícias EFE, desde o começo de 2019, 120 aparelhos da empresa Zipline já funcionam para atender cerca de 12 milhões de pessoas que vivem em áreas remotas ou inacessíveis.

Vacinas, remédios e bolsas de sangue para transfusão são alguns dos itens distribuídos pela frota voadora, que atende dois mil centros de saúde espalhados pelo país de cerca de 25 milhões de habitantes. Em Ruanda, também na África, sistema parecido já funciona desde 2016 e fez mais de 13 mil entregas, sendo que um terço foi para atender pacientes em situações de emergência.  

Conteúdo publicado em 27 de maio de 2019

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