Usando a tecnologia da biodigestão, a usina que será instalada no Paraná irá produzir energia elétrica a partir de resíduos orgânicos e lodo de esgoto: expectativa é abastecer 2 mil casas

O estado do Paraná irá receber a primeira usina brasileira de energia gerada a partir do “lixo”, ou seja, de uma combinação de resíduos orgânicos e lodo de esgoto. A usina terá a tecnologia de biodigestão: a partir destes insumos, ela produz o biogás que, por sua vez, será transformado em energia elétrica.

O projeto planeja o aproveitamento diário de 1.000 metros cúbicos de lodo de esgoto e 300 toneladas de resíduos orgânicos – todo este volume seria seria descartado no meio ambiente. Está previsto também transformar a sobra de resíduos orgânicos em produtos biofertilizantes e reciclar o plástico residual para produzir sacolas.

A usina irá gerar 2,8 megawatts diários de energia elétrica, quantidade suficiente para abastecer 2 mil casas populares, de acordo sua idealizadora, a CS Bioenergia. Formada pela estatal Companhia de Saneamento do Paraná (Sanepar) e pelo grupo Cattalini Bio Energia, a empresa recebeu em 2018 a Licença de Operação do Instituto Ambiental do Paraná (IAP) para geração de biogás.

Como funciona a biodigestão?

No processo da biodigestão, o lodo de esgoto e chega da estação de tratamento e é armazenado em um tanque. Em paralelo, os resíduos sólidos urbanos são submetidos a um mecanismo de separação na qual materiais como o plástico são separados e o material orgânico, tratado; ao fim deste processo, é adicionado ao tanque onde está o lodo.

A mistura é bastante eficiente: o lodo de esgoto é composto de um enorme volume de bactérias anaeróbicas (que não dependem de oxigênio) que se alimentam com a matéria orgânica e a decompõe, gerando gás metano (que é transformado em energia) e adubo (usado como fertilizante). O processo ocorre dentro do biodigestor de forma espontânea.

Inspiração europeia

Sérgio Vidoto, diretor da Cattalini Bio Energia, explica que a inspiração para a iniciativa está em países europeus, como a Alemanha – no continente, são mais de 14 mil plantas de biogás por biodigestão, sendo 8 mil delas em território alemão. A ideia central é combinar tecnologia com políticas públicas de gestão eficiente de resíduos. “Está todo mundo olhando a nossa planta como uma quebra do paradigma do aterramento no tratamento de resíduos orgânicos no Brasil”, disse para a Agência Brasil.

De acordo com o Boletim de Monitoramento do Sistema Elétrico de agosto de 2018, do Ministério de Minas e Energia, a biomassa é a segunda principal fonte de energia do país, respondendo por 9,1% do total – seus principais insumos são carvão vegetal, resíduos de madeira, bagaço de cana-de-açúcar e casca de arroz. Agora, o “lixo” começa a entrar na lista.

Conteúdo publicado em 8 de abril de 2019

O que a Braskem está fazendo sobre isso?

A Braskem tem ações práticas nesse sentido em todas as fases do pós-consumo do plástico. Os projetos de reciclagem, em especial, estão centralizados na plataforma Wecycle. Em 2016, foram desenvolvidas as primeiras resinas de polipropileno e polietileno, feitas a partir de conteúdo totalmente reciclado. O volume de produção previsto é de até 50 toneladas mensais. Este material é utilizado para diversos fins, um deles é a construção de bicicletas. Conheça o Wecycle aqui: http://www.braskem.com.br/wecycle/

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