Chefe de Sustentabilidade da Netafim, empresa pioneira em irrigação por gotejamento, Naty Barak mostra a força que uma comunidade tem para vencer as adversidades

Eu queria ser diplomata, então estudei Ciências Políticas e Relações Internacionais. Logo em seguida fui fazer um curso para executivos em uma escola de negócios e percebi que não gostava muito do que estava fazendo. Desde muito jovem sempre fui um idealista. Eu cresci em Haifa, uma cidade muito boa, entre as montanhas e a praia, mas decidi, junto com alguns amigos, mudar para o deserto, para o Kibutz Hatzerim, e fazer algo com as minhas próprias mãos, trabalhar com agricultura. Chegamos ao kibbutz em 1964 e um ano depois conhecemos Simcha, que inventou a irrigação por gotejamento e achamos a ideia muito legal. Esse conceito resolvia o problema de não termos água suficiente no deserto, de termos um solo não muito rico em nutrientes e de alta salinização e, por fim, da agricultura ser muito difícil por lá. Foi então que nós começamos a Netafim. A Netafim vai bem ao mesmo tempo em que faz bem para o mundo. Os negócios vão bem na medida em que fazemos bem para o planeta. E eu estou muito feliz e orgulhoso de fazer parte disso.

Aos 74 anos, casado com Liorah, uma psicóloga especializada em crianças, com três filhos já criados e oito netos, Natay Barak conta que a razão de se importar tanto com a sustentabilidade do planeta são os netos: “eu quero deixar o mundo do mesmo jeito que eu recebi e, quem sabe, ainda melhor”. Chefe de Sustentabilidade da Netafim, Naty está na empresa desde o começo, e já foi diretor de Marketing, Vice-presidente executivo para os Estados Unidos, Presidente da Netafim na África do Sul, tesoureiro e muito mais. Com 29 filiais e 17 fábricas em todo o mundo, a Netafim é líder mundial em soluções de irrigação por gotejamento, uma solução que comprovadamente economiza água, reduz a contaminação do recurso e dos cultivos e diminui a emissão de gases que prejudicam a atmosfera.

Como era de se esperar diante desse currículo, Naty é um membro ativo também do Kibbutz Hatzerim, localizado no deserto do Negev, sul de Israel. Ele atua no conselho de administração do kibutz, no comitê de gestão e no comitê econômico do kibutz. Kibutz é uma forma de coletividade comunitária israelita que nasceu nas zonas rurais e era baseada essencialmente na agricultura, mas que hoje já encontra outras formas de subsistência. No Kibbutz Hatzerim, em que Naty vive, são pouco mais de 4.000 pessoas que trabalham nas mais variadas áreas. “Nós plantamos jojoba e fazemos óleos para a indústria de cosméticos e temos mais de 3.000 vacas leiteiras. Antigamente, íamos mais fundo na agricultura, mas hoje grande parte dos nossos negócios envolvem a irrigação por gotejamento, que ainda está conectada com a agricultura, mas de uma forma diferente.”

A já longínqua decisão de mudar para um kibutz vai além da vontade de fazer algo com as próprias mãos e remonta à juventude de Naty. “Eu era jovem e idealista e pensei que seria bom viver com meus amigos, trabalhar ao lado deles e compartilhar tudo. Compartilhar não apenas valores e uma ideologia, mas também o dia-a-dia, ver como nossos filhos crescem juntos, como eles aprendem uns com os outros e se desenvolvem, ver como meus amigos estão todos os dias. Pela manhã encontro eles no trabalho, de tarde também passo um tempo com eles e, já de noite, nos encontramos todos na sala de jantar. É lindo. O que você faz, você faz pela comunidade, não só para você. Eu gosto.”

Conteúdo publicado em 20 de março de 2018

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