A jovem sueca com síndrome de Asperger começou a protestar sozinha contra as mudanças climáticas e, hoje, já palestrou em Davos e mobilizou cerca de 1,4 milhão a irem para as ruas pela causa ambiental

Desde agosto de 2018, ainda com 15 anos, Greta Thunberg, todas as sextas-feiras, faz greve de aula e troca a escola pelo prédio do parlamento sueco, em Estocolmo. Ela chega às 8 da manhã em frente ao edifício Rksdag carregando um cartaz de protesto com os dizeres “greve escolar pelo clima”. O objetivo é conscientizar pessoas e pressionar governos a tomarem atitudes que colaborem para reduzir o processo global de mudanças climáticas.

Esses eventos foram chamados de “Sextas para o futuro” (mobilizadas pela hashtag em inglês #FridaysForFuture) e inspiraram jovens do mundo inteiro a fazerem o mesmo. Os protestos começaram a tomar corpo na Austrália, Canadá, Bélgica, Alemanha. Coréia do Sul, Índia e até no Brasil.

A onda de protestos liderada por Greta Thunberg culminou em uma manifestação global dia 15 de março. Ao todo, mais de 100 países se engajaram nas mobilizações, somando cerca de 1,4 milhão de pessoas nas ruas em prol da defesa de questões ambientais.

O sucesso de suas ações resultou em convites para discursar no ciclo de palestras TEDTalks, no encontro do clima das Nações Unidas, realizado na Polônia, e no Fórum Mundial Econômico, em Davos. Sua fala forte chamou ainda mais atenção das lideranças globais. “Somos só crianças que protestam, não deveríamos estar fazendo isso, não deveríamos ter que fazer, sentir que nosso futuro está ameaçado a ponto de termos que faltar às aulas para lutar por isso. É um fracasso das gerações anteriores que não fizeram nada”, afirmou.

Em 2019, Greta Thunberg foi indicada ao Prêmio Nobel da Paz. Caso vença, ela se tornará a segunda ativista das mudanças climáticas (o primeiro foi Al Gore, em 2007) e a pessoa mais jovem a receber o título – hoje, esta honra cabe à ativista Malala Yousafzai, que levou o prêmio em 2014, então com 17 anos. O resultado sairá em outubro.

“Os adultos ficam dizendo: ‘devemos dar esperança aos jovens’. Mas eu não quero a sua esperança. Eu não quero que vocês estejam esperançosos. Eu quero que vocês estejam em pânico. Quero que vocês sintam o medo que eu sinto todos os dias. E eu quero que vocês ajam. Quero que ajam como agiriam em uma crise. Quero que vocês ajam como se a casa estivesse pegando fogo, porque está” -Greta Thunberg em Davos.

Jovem tem síndrome de Asperger e é vegana

Com 11 anos, a jovem enfrentou uma forte depressão que a levou a ficar sem comer por dois meses e a perder 10 quilos. O motivo: a preocupação com os problemas ambientais. “Comecei a ficar muito deprimida: parei de comer, parei de falar, parei de ir à escola. Isso tinha a ver muito com a mudança climática: fiquei muito preocupada. Não sabia o que fazer…”, relatou ao jornal espanhol El País.

Greta Thunberg também afirma ter uma personalidade pacata, tímida, mas forte. Se tornou vegana e já convenceu quase toda a família a seguir a decisão – sua mãe, a cantora lírica Malena Ernman, ainda come queijo.

Outro traço marcante da jovem ativista é seu diagnóstico de ter síndrome de Asperger, um transtorno do espectro autista que afeta a interação social, informação que ela mesma revelou nas redes sociais. “Tenho síndrome de Asperger e isso significa que meu cérebro funciona de um jeito um pouco diferente. Eu vejo as coisas em preto e branco, com lógica. Se eu não fosse tão estranha, então eu teria me distraído com o jogo social que as pessoas jogam”, explica ela. “Eu sou o tipo de pessoa que não gosta quando alguém fala uma coisa e faz outra. E esse é o caso com as mudanças climáticas”, conclui.

Conteúdo publicado em 16 de julho de 2019

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