Relatório divulgado pela entidade afirma que a poluição do ar já afeta 1,8 bilhão de crianças no mundo, causando doenças crônicas e até mortes. Conheça cinco possíveis soluções para reverter o quadro

O futuro da população mundial está em risco e a culpa é da poluição. É o que diz a A Organização Mundial da Saúde (OMS), que divulgou um relatório com dados preocupantes sobre crianças e poluição: 93% da população com menos de 15 anos de idade respira ar tão poluído que sua saúde e desenvolvimento correm graves riscos.

De acordo com o documento publicado na primeira Conferência Mundial sobre Poluição do Ar e Saúde, realizada no começo de novembro em Genebra (Suíça), a situação já afeta 1,8 bilhão de crianças no mundo.

A própria OMS estima que, apenas ao longo do ano de 2016, 600 mil crianças tenham morrido em consequência de infecções respiratórias causadas pelo ar poluído. A poluição do ar, informa a entidade, é uma ameaça ainda maior para crianças com menos de cinco anos: hoje, ela já é responsável por 10% das mortes nesta faixa etária. Em relação à população geral do planeta, a poluição do ar mata pelo menos 7 milhões de pessoas anualmente e prejudica a saúde de mais de 3 bilhões.

Além dos riscos diretos, a poluição do ar resulta em problemas para o futuro saudável da nossa espécie, como um todo. O problema afeta mulheres grávidas, dificultando o ganho de peso do feto e aumentando a possibilidade de nascimentos prematuros. A poluição também fator de risco para o desenvolvimento do cérebro destas crianças e para o surgimento de doenças cardiovasculares crônicas, problemas respiratórios e cânceres – principais causas de morte humana segundo dados da entidade.

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Os organizadores do relatório destacam a descoberta de que não apenas a poluição do ar externo, mas também a poluição interna pode causar problemas de saúde em grande escala. Isso significa que, além da poluição gerada pela queima de combustíveis fósseis pela indústria e pelos transportes, o uso de carvão, madeira e parafina para aquecimento, cozimento e iluminação em residências, sobretudo em países mais pobres, têm grande impacto na saúde da população infantil.

Como combater a poluição: cinco soluções mais eficientes

No relatório, a OMS lista também cinco medidas mais urgentes que o planeta deve tomar para reverter este quadro. “As soluções são uma agenda básica de saúde que terá muitos benefícios para a saúde pública e o meio ambiente. Nada importa mais que isso: sabemos que precisamos descarbonizar nossa sociedade o quanto antes, e os benefícios disso para nossa saúde e nossa economia são indiscutíveis”, disse Maria Neira, diretora do Departamento de Saúde Pública, Meio Ambiente e Sociedade da OMS, ao jornal britânico The Guardian. Confira as cinco medidas.

1. Geração de energia de baixa emissão

A queima de combustíveis fósseis é um problema por si só quando o assunto é aquecimento global. Além de principal fator para a intensificação das mudanças climáticas, essa queima despeja na atmosfera grande quantidade de partículas poluentes e traz risco de intoxicação para as populações que vivem próximas a usinas.

2. Planejamento urbano e gestão adequada de transportes

Muitas grandes cidades ao redor do mundo sofrem com sistemas de transporte baseados em veículos movidos a combustíveis fósseis. Em São Paulo, por exemplo, uma das maiores cidades do mundo, este é um grande problema: 73% das emissões poluentes são causadas por veículos particulares, que transportam apenas 30% dos cidadãos.

3. Habitações com maior eficiência energética

O relatório identificou que o uso inadequado de produtos como carvão, madeira e parafina para produzir aquecimento e/ou alimentação dentro de casa pode trazer consequências graves à saúde de seus moradores. Redes de energia elétrica seguras e a preços acessíveis são uma solução.

4. Controlar desmatamento de florestas

O aumento do desmatamento e de queimadas de florestas tem alto impacto na relação da poluição atmosférica. A Amazônia, por exemplo, influencia a qualidade do ar de toda América do Sul: um estudo realizado no local indica que a degradação da floresta afeta, sobretudo, o Norte do Brasil, Peru e Bolívia, mas chega até São Paulo, na região Sudeste do país.

5. Melhor gerenciamento de resíduos

Na maior parte do mundo, não há gerenciamento de resíduos urbanos adequado, embora esteja sendo feito enorme investimento no setor. A má destinação do lixo e dos resíduos que poderiam ser reciclados pioram as condições do ar e afetam também a qualidade dos solos, rios e oceanos do planeta.

 

Conteúdo publicado em 12 de dezembro de 2018

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