Além de criar um espaço acolhedor e criativo, a contratação de pessoas diversas também aumenta a produtividade e a inovação dos profissionais envolvidos em boas práticas corporativas

Sabemos que a sociedade e as empresas ainda não são inclusivas para todas as pessoas, principalmente para mulheres, negros, refugiados, LGBTQIAs, pessoas com deficiência e outras que fazem parte dos grupos minorizados. Mas então, por quê ainda precisamos de cotas ou políticas afirmativas para integrá-las às instituições de ensino e trabalho formal?

Além da virtude ética de oferecer igualdade de oportunidades para cidadãos diferentes, agora sabemos que a responsabilidade social traz outros benefícios. Pesquisa do Hay Group do Brasil mostrou que 76% dos funcionários de empresas que se preocupam com a diversidade reconhecem que têm mais liberdade e se sentem mais seguros para expor suas ideias e inovar no trabalho. Já nas empresas que não têm a diversidade como pauta da agenda, essa proporção cai para 55%.

O estudo, feito com 170 empresas brasileiras, identificou que apenas 5% delas procuram saber como seus funcionários percebem o ambiente de diversidade no dia a dia de trabalho. Em países como Estados Unidos e em partes da Europa, essa proporção salta para 20%.

Engajamento e lucratividade

Segundo os especialistas, piadas inadequadas ou preconceituosas, processos seletivos que reforçam privilégios e falta de abertura para a manifestação das subjetividades podem ser evitados com educação corporativa, debates e projetos desenvolvidos pela comunicação institucional. Os resultados aparecem no médio e longo prazos, mas passam, aos poucos, a ser incorporados de maneira natural por todo o corpo de funcionários e líderes, favorecendo as relações humanas e, consequentemente, os negócios.

A consultoria americana McKinsey avaliou mais de mil empresas em 12 países distintos e mostrou que as que se preocupavam com a diversidade de gênero, por exemplo, eram 21% mais lucrativas do que as que não tinham essa preocupação. Quando a questão envolvia raça, etnia e outras diferenças culturais, a lucratividade era 33% maior.

A análise sugere que, embora a correlação não signifique uma consequência direta e inevitável, ela indica que, quando as empresas se comprometem a ter uma liderança diversas, elas costumam ser mais bem-sucedidas. Em linha gerais, elas são capazes de conquistar profissionais de maior talento, aumentar sua orientação para o cliente, a satisfação dos funcionários e melhorar a tomada de decisões, levando a um círculo virtuoso de retornos crescentes. “Assim, incluir a diversidade como pauta da agenda estratégica é um excelente caminho para maximizar resultados e diferenciar a empresa em temas relevantes como inovação, motivação, liderança e, consequentemente, resultados financeiros”, conclui a Hay Group.

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Aprendizado a partir do diferente

O convívio com pessoas diferentes, com outras habilidades e perspectivas distintas das que já se conhece, é recompensador para o indivíduo e o coletivo. “Onde a diversidade é reconhecida e praticada, a incidência de conflitos chega a ser 50% menor que nas demais organizações”, destaca relatório da Hay Group.

O estudo cita o exemplo do grupo francês Saint-Gobain, empresa multinacional de arquitetura e construção. Com uma história de 350 anos, a empresa aposta na diversidade para conquistar resultados nos 66 países onde atua. A movimentação de profissionais entre as diversas plantas no mundo é estimulada, e existe cuidado especial com a compreensão de todos acerca da importância da diversidade e sua prática no dia a dia.

A presença de pessoas com diferentes bases culturais contribui para um olhar sem fronteiras sobre possibilidades de negócio. Líderes nesses ambientes reforçam esse tipo de comportamento, e estimulam a abertura e a capacidade de trabalhar de forma eficiente com pessoas de diferentes backgrounds e culturas.

Além disso, a diversidade é uma forte alavanca para fomentar a inovação, elemento central da estratégia das organizações. Quanto maior for a diferença de background, origem e cultura dos profissionais, maiores são as chances de um ambiente inovador. No caso da Saint-Gobain, ela já foi incluída quatro vezes no ranking “Top 100 Global Innovators”, da Clarivate Analytics, que indica as 100 melhores empresas para trabalhar ao redor do mundo.

Engajamento da equipe e dos consumidores

Ao cultivar o bem-estar no ambiente profissional e ter como compromisso a inclusão de funcionários que representem a diversidade encontrada na sociedade, as empresas também melhoram sua imagem frente aos seus clientes. A reputação a respeito da responsabilidade social e ambiental são um ponto a favor na disputa pela preferência.

“A repercussão das diversidades nas empresas realmente traz resultados e impacta na produtividade e na lucratividade pelo simples fato de fazer com que as pessoas se engajem mais”, diz Jorgete Lemos, diretora de diversidade da Associação Brasil de Recursos Humanos (ABRH). “Ao perceberem que não são rejeitadas ou que não estão apenas cumprindo uma obrigação, as pessoas se sentem valorizadas. Você se sente bem, se sente apoiado, você sabe que sua participação é única, porque é visto como um indivíduo e suas características são respeitas.”

Mas, além de gerar criatividade, lucro e inovação, as empresas que aderem a práticas colaborativas e integrativas também são mais bem sucedidas em reter talentos e diminuir a rotatividade nos cargos, engajando seus colaboradores internos a longo prazo e fazendo a manutenção do bem-estar profissional de forma orgânica e natural.

“Nós procuramos acessar e transmitir informações das mais diversas e atuais possíveis, promovemos eventos e temos diretrizes sobre a diversidade. Nosso plano de trabalho é estruturado em um crescendo: primeiro falamos da valorização, depois da promoção e depois da equidade”, explica Jorgete.

A cooperação e o senso de pertencimento passam, aos poucos, a fazer parte do cotidiano, fortalecendo as boas práticas e alimentando posturas de camaradagem e atividades que exigem esforço conjunto para alcançar objetivos comuns entre os indivíduos de uma mesma equipe.

Compromisso empresarial

Foi pensando nisso que 32 empresas e organizações não governamentais definiram compromissos com a sociedade civil e reafirmaram publicamente sua posição institucional sobre o tema. Na Carta de Apoio à Diversidade, ao Respeito e à Inclusão de Pessoas LGBT+ nos Locais de Trabalho no Brasil, assinado por empresas como Google, IBM e Braskem, estão detalhadas as políticas de respeito às populações minorizadas, historicamente excluídas e socialmente vulneráveis, com destaque às lésbicas, gays, bissexuais, transexuais, queer ou não binário, intersexo e assexuais (LGBTQIA).

As empresas signatárias do documento empregam, juntas, mais de 100 mil pessoas no Brasil. Elas investem em práticas que permitem ao profissional se sentir acolhido, respeitado e livre para expressar sua personalidade e compartilhar suas experiências pessoais, já que os resultados se mostram benéficos a todos – profissionais, empresas e organizações.

A carta diz ainda, que, “tais práticas impactam positivamente a atração, o recrutamento e a retenção de profissionais, além de promover uma cultura colaborativa, produtiva e inovadora”. Colocar em marcha um programa de trabalho sobre o tema têm o potencial de transformar hábitos dentro e fora do ambiente profissional e fazer com que as pessoas repensem suas crenças e questionem comportamentos enraizados pela cultura social.

Conteúdo publicado em 30 de janeiro de 2019

O que a Braskem está fazendo sobre isso?

A Braskem acredita que a promoção da diversidade fortalece a nossa cultura e reforça a nossa crença na valorização do ser humano. Com isso, cria-se um ambiente criativo, inclusivo, livre de preconceito e discriminação, onde todas/os se sentem à vontade para ser quem são. A consequência direta desse compromisso é a melhora nas relações entre as pessoas, o que colabora com a inovação e a produtividade. A empresa mantém o “Programa de Diversidade e Inclusão”, que opera, sobretudo, nos eixos de gênero, etnia e raça, identificação LGBT, pessoas com deficiência e fatores socioeconômicos. Entre as ações desenvolvidas pela Braskem, estão a capacitação de novas lideranças, extensão da licença maternidade, ações contra a violência de gênero, além de parceria com a “Empregue Afro”. Desde 2017, 90 colaboradores também integram grupos de trabalho nos temas Gênero, Raça e Etnia e LGBT a fim construir novas ações para o programa.

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