Mudanças climáticas destroem coral australiano, mas há como salvá-los

Mudanças climáticas destroem coral australiano, mas há como salvá-los

Forte onda de calor causou o embranquecimento da estrutura, mas cumprimento das metas de combate às mudanças climáticas pode interromper os danos

Eleita em 1997 uma das sete maravilhas naturais do mundo, a grande barreira de corais da Austrália mudou. E para sempre. Uma pesquisa publicada pela revista científica Nature em abril confirmou que os danos gerados pela forte onda de calor registrada em 2016 são irreversíveis e causaram o branqueamento - a expulsão de algas que vivem em simbiose com o coral - de aproximadamente um terço da estrutura natural de 2,3 mil quilômetros de comprimento.

No relatório, os cientistas indicaram que a vida na região havia sido fortemente impactada pelo fluxo de água aquecida. Mais recentemente, o time não só confirmou esse impacto, como descobriu que ele foi ainda maior do que se supunha. E o culpado, segundo o estudo, é um só: o processo de aquecimento global.

“O recife de corais está mudando mais rápido do que qualquer um poderia imaginar. Algo que já podemos confirmar é que ele nunca mais será o mesmo”, disse Terry Hughes, autor do artigo e diretor do departamento de estudo de corais da Universidade James Cook, em entrevista ao The New York Times.

O que aconteceu com os corais - e como salvá-los

O grande recife de corais da Austrália é o habitat de milhares de espécies: entre as 3.863 catalogadas estão tubarões, tartarugas e baleias. Trata-se de uma região que depende de águas mornas para manter o equilíbrio e que é, portanto, extremamente sensível a temperaturas altas. Variações a partir de 2º C já são suficientes para desequilibrar o habitat e destruir corais. A estimativa é que apenas 10% deles não tenham sido afetados pela mudança climática que vem causando o branqueamento de suas estruturas.

Incidentes climáticos que resultaram no branqueamento dos corais em larga escala foram registrados em 1998 e 2002, mas nenhum deles foi tão agressivo quanto o de 2016. E dois problemas em particular preocupam os ambientalistas. Eles identificaram que as espécies de corais que crescem com mais rapidez são as mais afetadas, o que compromete diretamente a biodiversidade local. E também confirmaram que a proteção dos recifes e águas adjacentes não dá conta de controlar o problema.

A conclusão dos cientistas é que quanto mais frequentes essas ondas de calor, mais difícil será a recuperação do ecossistema.

Como evitar que a destruição continue

Há como impedir a destruição e a solução está diretamente ligada com o cumprimento das metas estabelecidas para o controle das mudanças climáticas e o aquecimento global.

“É fundamental entender como o governo e o gerenciamento local podem maximizar a recuperação entre as ondas de calor”, disse Nick Graham, ecologista marinho da Universidade de Lancaster, à revista Nature. “Se não conseguirmos conter as mudanças climáticas e a temperatura global aumentar em mais de 2º C, perderemos os benefícios naturais, científicos e econômicos que os corais proporcionam”, completou. Além da óbvia beleza da grande barreira de recifes de corais, é objeto de muitos estudos sobre diversidade marinha e um dos principais pontos turísticos da Austrália, que gera milhares de empregos.

De acordo com a pesquisa, a transição que está acontecendo na barreira de corais é inevitável, e seguirá ao longo do século - embora esteja acontecendo em ritmo muito mais acelerado do que os cientistas imaginavam.

Mas a existência dos corais, afirmam, depende de nossas ações. “Um futuro com corais de recife, sua rica diversidade e os meios de subsistência que eles proporcionam às pessoas é bastante simples. Isso só será possível se as emissões de carbono forem rapidamente reduzidas”, concluiu Graham.