Lua de sangue. Crédito: Johannes Schedler/Nasa

Maior eclipse lunar do século ocorre sexta: conheça melhor o satélite

Fenômeno poderá ser visto em todo o Brasil a partir das 16h30; entenda o que é um eclipse lunar e saiba também o que caracteriza uma Lua de sangue, uma Superlua e outras curiosidades

A partir das 16h30 (horário de Brasília) de sexta-feira, 27 de julho, os brasileiros poderão acompanhar o mais longo eclipse lunar total do século 21. O fenômeno poderá ser visto integralmente na metade leste do país, enquanto a metade oeste terá visão parcial. A melhor visibilidade será em Recife.

De acordo com comunicado do Observatório Nacional, quem quiser acompanhar o evento deve buscar um local com céu limpo e onde seja possível ver o horizonte em sua porção leste. O eclipse total, no qual a Lua estará 100% coberta pela Terra, irá durar até 18h31 e, de forma parcial, poderá ser observado até às 20h29.

“É tudo uma questão de geometria: nesse eclipse a Lua vai passar bem no centro da sombra da Terra”, explica Josina Nascimento, pesquisadora do Observatório Nacional. Ela informa ainda que, por coincidência, até o fim de julho, os planetas vizinhos à Terra estarão excepcionalmente brilhantes. Marte, por exemplo, estará com seu brilho máximo. Vênus, Júpiter e Saturno também poderão ser observados com uso de binóculos.

Nesta noite, a Lua será completamente coberta pela Terra e sua coloração prateada-azulada mudará para um tom avermelhado, pois não será atingida pela luz do Sol. No hemisfério norte, o fenômeno é chamado de “Lua de sangue” (leia sobre os diferentes tipos de lua abaixo).

Superlua em Washington. Crédito: Bill Ingalls/Nasa

Relação da Terra com a Lua

A Lua é o único satélite natural da Terra, e um dos maiores do Sistema Solar - proporcionalmente ao tamanho da Terra, ela lidera o ranking de nosso sistema estelar. O diâmetro da Lua regista 3.474 quilômetros, enquanto o da Terra mede 12.742 quilômetros - e a distância entre os dois corpos celestes é de 384.400 quilômetros, em média.

Não se sabe, ao certo, a origem da Lua. Há teorias para todos os gostos, mas, atualmente, a mais aceita pela comunidade científica é a que afirma que o satélite foi formado a partir da colisão de um corpo do tamanho de Marte com a Terra logo no início de sua formação, 4,6 bilhões de anos atrás. Neste choque, parte da Terra teria se desprendido, mas teria sido capturada pela gravidade do planeta.

Outra tese famosa é a da fissão, sugerida pelo astrônomo e físico George Darwin, filho de Charles Darwin. Rotacionando em alta velocidade, no começo de sua existência, a Terra teria liberado pedaços rochosos que formariam a Lua. Há, ainda, outras hipóteses: Terra e Lua teriam se formado ao mesmo tempo, com elementos diferentes, ou que a Lua era um corpo perdido vagando pelo Sistema Solar até ser cooptado pela força gravitacional do planeta.

A relação entre Terra e Lua gera belos efeitos visuais no céu e também fenômenos físicos bastante nítidos para nós - caso do efeito de marés.

Eclipse lunar. Crédito: Marcello Casal Jr/Agência Brasil

Conheça alguns dos fenômenos e efeitos lunares

Eclipse solar

Ocorre com o alinhamento total de Sol, Lua e Terra (necessariamente nesta ordem). Durante o eclipse, os raios solares são bloqueados pela Lua - por isso, quando ele acontece, o céu escurece e a impressão é de que anoiteceu.

Eclipse lunar

Ocorre com o alinhamento total de Sol, Terra e Lua (necessariamente nesta ordem). Durante o eclipse lunar, os raios solares são bloqueados pela Terra.

Lua de sangue

É um tipo de eclipse lunar total. Este fenômeno tem como consequência o avermelhamento da Lua. O espectro da luz do Sol é branco e, por isso, toda noite vemos a Lua neste tom. Porém, quando há um eclipse total, os raios solares atravessam a atmosfera da Terra e, neste processo, alguns espectros se espalham, como o azul (por isso o céu tem essa cor). Outros espectros passam ilesos, como o vermelho. Esta luz vermelha vai diretamente à Lua e a ilumina com essa cor.

Lua azul

Trata-se da segunda Lua cheia dentro de um intervalo de um mês. O evento ocorre com frequência regular de pouco mais de dois anos e meio, em média, com ciclo lunar tendo 29,53 dias de duração e um mês 30 ou 31 dias (exceto fevereiro, com 28 ou 29 dias, mês durante o qual a ocorrência da Lua azul é impossível). A Lua não muda de cor, o termo é uma adequação a seu sentido original, de algo muito difícil de acontecer.

Superlua

O termo foi cunhado pelo astrólogo norte-americano Richard Nolle em 1979 e significa a coocorrência de dois eventos. Trata-se de uma Lua nova ou cheia que ocorre junto ao perigeu (ou a até 90% dele), momento de maior aproximação lunar em relação à Terra. No perigeu, a Lua fica a menos de 360.000 quilômetros de nós e, na Superlua, poderemos vê-la 11% maior e 5,5% mais brilhante que o comum.

Superlua. Crédito: PxHere

Efeito maré

Quando a Lua está nas fases cheia ou nova, a maré está alta; quando as fases são crescente ou minguante, a maré é baixa. Isto é resultado uma equação de forças gravitacionais que envolve o satélite, o Sol e a própria Terra. Quanto maior o corpo celeste, maior sua força gravitacional, ou seja, o Sol mantém a Terra em sua órbita e a Terra, mantém a Lua. E os oceanos, carregados de água, são voláteis a essas forças: quando Sol e Lua estão alinhados (Lua nova ou cheia), eles “puxam” as águas para a linha do Equador, tornando a maré alta; quando Sol e Lua estão em posição perpendicular (Lua crescente e minguante), as forças gravitacionais quase se anulam e equilibram as águas da Terra, tornando a maré baixa.