Planta de energia eólica e solar

Google se junta à Apple para defender o Plano de Energia Limpa nos EUA

As empresas protocolaram documento em prol do desenvolvimento de energias renováveis: para elas, conduta é economicamente viável e gera empregos

Duas das maiores empresas de tecnologia do planeta estão lado a lado para defender o Plano de Energia Limpa, firmado em 2015 pelo governo dos Estados Unidos, mas que agora corre o risco de ser encerrado pela Agência de Proteção Ambiental (Environmental Protection Agency, EPA) do país. Após a Apple se posicionar, o Google levou à EPA um documento defendendo a manutenção do programa.

O Plano de Energia Limpa é uma das bandeiras da administração do democrata Barack Obama como presidente dos EUA. Em junho de 2014, a EPA, sob sua gestão, apresentou a proposta, cuja versão final foi assinada em agosto de 2015. O objetivo é diminuir a emissão de dióxido de carbono produzido a partir da geração de energia - a indústria de energia é a maior poluente norte-americana. A meta número um é chegar a 2030 com a emissão de gases de efeito estufa 32% menor do que a registrada em 2005.

No entanto, em outubro de 2017, já na administração do republicano Donald Trump, a EPA anunciou que está considerando alternativas para encerrar o Plano de Energia Limpa e oficializou as regras e procedimentos formais para a substituição do programa. Assim, a EPA abriu um debate público para formular a nova proposta: empresas, organizações, universidades podiam enviar comentários à agência, que será obrigada a responder formalmente a todos eles - inclusive à Apple e ao Google.

O que disseram Google e Apple?

O documento protocolado pelo Google junto à EPA foi compartilhado com veículos especializados em tecnologia como TechCrunch e The Verge. De acordo com as publicações, o Google destacou seus próprios esforços em busca de fontes de energia renovável e de como este movimento, acompanhado por toda a indústria, tem potencial para tornar a energia limpa mais barata e criar novos empregos.

"As implantações de energia solar e eólica, assim como as cadeias de produção associadas a elas, estão entre os setores de maior crescimento na economia norte-americana nos últimos anos, com taxas de geração de empregos significativamente maiores que a média geral de crescimento dos postos de trabalho", afirmou a companhia.

Além disso, o posicionamento do Google busca garantir a manutenção do programa como uma solução necessária para reverter o impacto da ação humana no planeta. "Restringir o aquecimento global é uma prioridade global urgente, que precisa de robusto engajamento político federal e forte ação da comunidade empresarial. O Plano de Energia Limpa estimula a modernização do sistema elétrico norte-americano e reduz as emissões de dióxido de carbono, ajudando a mitigar a ameaça das mudanças climáticas globais", reforça.

A primeira empresa de grande porte a se posicionar a favor do Plano de Energia Limpa foi a Apple, de acordo com a agência Reuters. A companhia fundada por Steve Jobs argumenta que abandonar o programa faria os EUA menos competitivo na economia mundial de energia limpa e que o preço da energia de matriz renovável é mais estável do que a originada por combustíveis fósseis - o que ajuda as empresas a antecipar o planejamento do custo da eletricidade.

"A revogação do Plano de Energia Limpa irá sujeitar os consumidores, como a Apple e os nossos grandes parceiros de fabricação, a uma maior incerteza de investimento", disse a companhia em seu documento.

Como funciona o Plano de Energia Limpa?

O programa nasceu da necessidade de reduzir o impacto ambiental resultante da produção de energia. A partir dos acordos firmados no Protocolo de Paris e da definição das metas dos Objetivos do Desenvolvimento Sustentável, o governo norte-americano apresentou e aprovou o Plano de Energia Limpa para estimular Estados e empresas a investirem em fontes de energia limpa.

Idealmente, o programa funcionaria da seguinte maneira. A EPA estabeleceria uma meta individual de corte de emissões de dióxido de carbono para cada Estado norte-americano. Os Estados poderiam definir livremente suas políticas energéticas, desde que fossem capazes de cumprir esta meta; caso um deles se recusasse a se submeter ao programa, a agência teria o direito de impor um programa federal a ele.

No cronograma original, os Estados teriam que apresentar seus projetos entre 2016 e 2018, começar a reduzir as emissões a partir de 2022 e cumprir o objetivo em 2030. No entanto, a aplicação do plano vem sendo debatida em tribunais e jamais chegou a ter efeito prático.  

De maneira global, o esforço para a reversão da matriz energética vem dando resultado. De acordo com relatório publicado pela ONU, em 2017 os investimentos em energia renovável foi maior do que em energia baseada em combustível fóssil. Desde 2004, o mundo inteiro investiu cerca de US$ 2,9 trilhões em novas fontes de energia limpa. A China, líder neste quesito, foi responsável por alocar US$ 86,5 bilhões para o desenvolvimento de energia solar em apenas um ano.