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Conheça os seis compromissos das empresas pela segurança hídrica

Dezoito grandes empresas brasileiras ou com operação no Brasil assinaram um documento em que se comprometem a cumprir seis metas e honrar o ODS 6

Aproveitando a visibilidade dada ao tema, por ocasião do 8º Fórum Mundial da Água, 18 grandes empresas brasileiras -- ou com operação no Brasil -- assinaram, em Brasília, um compromisso pela segurança hídrica, em uma ação liderada pelo Conselho Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável (CEBDS).

Assim como cidadãos e governantes, as empresas também sofrem os efeitos decorrentes das crises hídricas e, com esse compromisso, querem deixar claro que entendem que a sua participação é imprescindível para a segurança hídrica nacional. Mais do que isso, as empresas querem colaborar no alcance das metas dos Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS), em especial o ODS 6, que trata de “Água e Saneamento para Todos”.

No documento, as empresas afirmam: "Diante da atual realidade de escassez hídrica, já estamos desenvolvendo diversas soluções compartilhadas para enfrentar a crise e reduzir o consumo de grandes volumes de água potável, utilizando técnicas tais como reúso, gestão de perdas, tratamentos sustentáveis para reutilização de efluentes industriais e domésticos, reservatórios de acumulação, soluções de dessalinização, uso de fontes de energia renovável, recuperação e preservação de bacias e mananciais visando o incremento da infraestrutura natural, ações de reflorestamento, dentre outras; todas como resposta ao impacto que essa crise traz para as empresas, para a biodiversidade, para a economia e, principalmente, para a sociedade".

O Compromisso Empresarial Brasileiro pela Segurança Hídrica coloca seis metas sob os pilares da "Disponibilidade", do "Uso"e da "Destinação" da água até 2025.

As seis metas do compromisso empresarial pela segurança hídrica

1. Ampliar a inserção do tema água na estratégia de negócios

Identificar as oportunidades relacionadas à gestão da água nos negócios (redução de consumo, reúso, fontes de energias renováveis e eficiência), e definir estratégias para realizá-las nas operações diretas e na cadeia de valor, a fim de reduzir a dependência do recurso e/ou aumentar a eficiência no uso.

Identificação anual das oportunidades, estabelecendo metas e planos de ação para
endereçá-las.

2. Mitigar os riscos da água para o negócio

Incluir, nos procedimentos de avaliação de risco da empresa, uma análise dos riscos sociais, ambientais e financeiros do negócio, relacionados direta ou indiretamente à água.

Mapear, anualmente, os riscos do negócio e da cadeia de valor relacionados direta ou indiretamente à água, e criar um plano de ação endereçando cada um deles por meio de ações de mitigação, bem como de adaptação frente à mudança do clima.

3. Medir e comunicar publicamente a gestão da água na empresa

Medir e divulgar dados da gestão de água, utilizando o questionário de água do CDP, relatórios anuais de sustentabilidade, comunicação sobre participação em iniciativas nacionais e globais de água, website ou outros veículos abertos ao público.

Medir e comunicar, publicamente, em instrumentos oficiais e reconhecidos, as ações relacionadas à água na empresa.

4. Incentivar projetos compartilhados em prol da água

Apresentar um projeto e\ou ação por ano, nova ou em continuidade, individual ou coletivamente, sendo preferencialmente um projeto relacionado à proteção de mananciais e bacias. O projeto e\ou ação apresentada deverá estar em atividade, tendo reports, acompanhamentos e resultados com indicadores do impacto causado na segurança hídrica. Para as empresas que estão desenvolvendo os projetos no 1º ano, não serão exigidos resultados para as metas, mas a criação e apresentação do plano de ação para alcançá-las.

Promover programas de aproximação e parcerias com a academia, ONGs, setor público,
comunidade local e sociedade civil, em projetos relacionados à conservação, proteção, redução de consumo, acesso e disponibilidade da água, serviços ambientais e reflorestamento, envolvendo o maior número de atores possível em uma grande rede para uma sensibilização efetiva ao tema água, promovendo as soluções baseadas na natureza como soluções efetivas aplicadas aos negócios.


5. Promover o engajamento da cadeia

Influenciar positivamente as operações da cadeia de valor da empresa e seus impactos nos
processos relacionados direta e indiretamente à água, incluindo ações de conscientização,
envolvimento em projetos em prol da água e troca de experiência sobre boas práticas na
cadeia.

Apresentar, anualmente, os critérios e indicadores de acompanhamento das operações da
cadeia de valor da empresa, incluindo o consumo de água por unidade de produção.

6. Contribuir com tecnologias, conhecimentos, processos e recursos humanos, físicos e materiais, no apoio a grandes, médias e pequenas empresas brasileiras, na construção e
desenvolvimento de uma melhor gestão hídrica em seus processos produtivos, cadeia de valor e entorno.

Participar, anualmente, de pelo menos uma iniciativa, ação ou projeto colaborativo, que
promova intercâmbio de tecnologias, conhecimentos, experiências e boas práticas entre as
empresas signatárias.

Além dessas metas, o CEBDS e as empresas signatárias elegerão bianualmente campanhas com temas para projetos de base colaborativa para estimular o engajamento conjunto com governo, terceiro setor, sociedade civil, empresas e outros setores de atuação.

Por meio de uma campanha, no esforço de implantação de acordos, projetos e abordagens, as empresas querem atuar em temas que fortaleçam uma agenda nacional de segurança hídrica como: gestão de bacias hidrográficas, reúso, agricultura, acesso a água potável e saneamento.

Os executivos que assinaram o compromisso em nome de suas empresas foram: André Dorf, Presidente do Grupo CPFL Energia; Artur Gynbaum, Presidente do Grupo Boticário; Benjamin Baptista, Presidente ArcelorMittal Brasil, Bernando Paiva, CEO Ambev, Didier Debrosse, CEO Heineken; Presidente da CPFL Renováveis; Fernando Musa, Presidente da Braskem; Gustavo Emina, Diretor-presidente da New Steel; Haakon Lorentzen, Presidente-executivo do Grupo Lorentzen, Hamilton Amadeo, CEO Aegea; João Paulo Ferreira, Diretor-presidente da Natura, Marcos Bicudo, CEo da Vedacit; Orson Orson Ledezma, VP e Gerente Geral Ecolab Brasil; Rogério Zampronha, Presidente das Vestas no Brasil; Ruben Marcus Fernandes; Presidente da Anglo American, Wilson Ferreira, Presidente da Eletrobras.