Buraco na camada de ozônio

Buraco na camada de ozônio registra menor tamanho em 30 anos, diz Nasa

Em setembro de 2017, a área estimada foi de 19,7 milhões de quilômetros quadrados, significativamente menor que a média de 26 milhões de quilômetros quadrados

O buraco na camada de ozônio está diminuindo e atingiu sua menor área nos últimos 30 anos. Em setembro de 2017, os satélites da Nasa - a agência espacial norte-americana - que acompanham, em tempo real, as movimentações da camada de ozônio registraram que a abertura chegou à área de 19,7 milhões de quilômetros quadrados. A redução ininterrupta do buraco ocorre desde 2015, quando a marca foi de 23 milhões de quilômetros quadrados.

O buraco ainda é grande - a abertura equivale a mais de duas vezes o território dos Estados Unidos -, mas a redução já é o suficiente para confirmar uma evolução no enfrentamento do problema. Descoberto em 1985, o buraco na camada de ozônio não era visto em tamanho tão reduzido desde 1988. Ao longo de mais de três décadas, sua média foi de 26 milhões de quilômetros quadrados.

A metodologia adotada para a medição considera o dia no qual a abertura chega a seu tamanho máximo, no fim do inverno do hemisfério sul. "O buraco na camada de ozônio antártico foi excepcionalmente fraco este ano. Isto é o que esperamos ver, dadas as condições climáticas na estratosfera antártica", disse Paul A. Newman, cientista-chefe de Ciências da Terra da NASA, em comunicado da agência.

Por que o buraco da camada de ozônio diminuiu?

Dois motivos explicam a redução no buraco na camada de ozônio: as condições climáticas e o combate ao uso de substâncias poluentes.

No fim de 2017, especificamente, um sistema de baixa pressão atmosférica quente e instável chamado de vórtex antártico foi fundamental. A formação ajudou a minimizar o surgimento de nuvens estratosféricas polares na baixa estratosfera, onde as reações de cloro e bromo destroem o ozônio. Isso permite, segundo os cientistas da Nasa, a reconstituição do ozônio na estratosfera inferior.

Nesse sentido, a agência espacial norte-americana alerta que os bons números recentes não representam uma cura em curto prazo para os problemas que causam o buraco na camada de ozônio. A presença de cloro e bromo permanece alta e resulta em uma perda significativa de ozônio na estratosfera.

No entanto, a progressiva diminuição na abertura do buraco tem relação com o cumprimento das metas estabelecidas no Protocolo de Montreal, assinado pela comunidade internacional em 1987 e que entrou em vigor no dia 1 de janeiro de 1989. Seu principal objetivo foi - e ainda é - reduzir o uso do clorofluorocarbonos, conhecidos popularmente como gases CFC.

A análise produzida pela Nasa confirma que, na medida em que os gases CFC deixam de ser usados, menos nociva é a composição química para o ozônio na estratosfera. Se as metas continuarem a ser cumpridas, a expectativa é que o buraco na camada de ozônio volte ao padrão do ano de 1980 no início da década de 2070.

O que é a camada de ozônio e como o buraco se formou?

A camada de ozônio é uma membrana de apenas 3 milímetros de espessura fundamental para que exista vida em nosso planeta. Fina e frágil, a camada de ozônio fica entre 10  quilômetros e 40 quilômetros acima da superfície terrestre e é constituída exclusivamente da molécula ozônio, composta de três átomos de oxigênio ligados entre si.

Ela é, literalmente, vital para a Terra por ter função de protetora solar. A camada age como uma espécie de cobertura global que reflete e impede que a radiação solar nociva a ultrapasse e chegue até a superfície onde vivemos. Formas de vida como as conhecemos, inclusive a humana, só puderam se desenvolver graças a essa proteção.

Esta membrana, contudo, apresenta pelo menos duas rupturas, uma em cada pólo da Terra. No Ártico, ao norte, há uma abertura considerada moderada pelos cientistas, mas no Antártico, localizado sobre a Antártida, ao sul, está o buraco mais preocupante.

De acordo a Nasa, no começo do século 20, o buraco na camada de ozônio era inexpressivo, mas se agigantou ao longo dos últimos 100 anos. O motivo de seu alargamento é a ação humana pelo uso massivo dos gases CFC. E, agora, apenas a própria ação humana será capaz de fazê-lo voltar a níveis saudáveis.