Radar monitora poluição. Crédito: Jeremy Bishop/Unsplash

Radar de fabricação japonesa monitora poluição na Baía de Guanabara

Equipamento ajuda a mapear condições meteorológicas, oceânicas e ambientais. Iniciativas públicas e privadas poderão usar as informações geradas

Um radar de fabricação japonesa vai ajudar a monitorar a poluição na Baía de Guanabara, uma das mais reconhecíveis baías do mundo, eternizada em músicas e símbolo da beleza natural do Brasil. A expectativa, com a operação do novo equipamento, é monitorar o movimento do lixo flutuante com precisão e facilitar o recolhimento desse material.

“Nos dados gerados pelo radar, uma mancha de óleo, por exemplo, e um aglomerado de lixo dão reflexos diferentes entre si, e diferentes do de uma onda do mar”, diz Arthur Ayres Neto, coordenador do curso de geofísica da Universidade Federal Fluminense (UFF), uma das instituições envolvidas com a iniciativa. “A ideia é monitorar e controlar esses resíduos e criar ações cada vez mais eficientes para lidar com eles”, afirma.

Além da UFF, pesquisadores do Instituto Alberto Luiz Coimbra de Pós-Graduação e Pesquisa de Engenharia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (Coppe/UFRJ) participaram do desenvolvimento da solução, batizada de Banda X. O aparelho mede 3,5 metros de comprimento e foi instalado a 15 metros do solo, no topo do prédio do Instituto de Geociências da UFF, que oferece ampla visão da região.

O Banda X emite pulsos de ondas eletromagnéticas que se propagam na água e são refletidas em rochas, embarcações, resíduos e outros, retornando ao equipamento. “A tecnologia é de radar convencional, como o de um navio. A diferença é que ele vem com essa camada a mais, que é o sistema que a gente desenvolveu”, diz Arthur.

Operação

Como a operação do radar começou recentemente, os responsáveis ainda estudam como organizações públicas e privadas podem ter acesso às informações geradas pelo equipamento. Um caminho seria disponibilizar os dados diretamente aos órgãos comprometidos com a limpeza da área. “O Ibama, por exemplo, pode ter acesso aos dados, detectar uma mancha de olho e imediatamente despachar uma equipe para instalar uma barreira e fazer a coleta antes que ela se espalhe”, diz Arthur.

A função de monitoramento de resíduos da ferramenta deve ser usada para reduzir os impactos ambientais da poluição na região do trecho entre a Ilha Rasa e a Ponte Rio-Niterói. Arthur lembra que uma das vantagens do radar é revelar poluição que nem sempre está visível nas águas da Guanabara e que, frequentemente, passa despercebida por quem faz a coleta do lixo na região.

Conteúdo publicado em 22/11/2018