Campo de energia eólica. Crédito: Karsten Wurth/Unsplash

Energia eólica será a segunda maior fonte energética do Brasil em 2019

Só em 2017, foram investidos R$ 11,4 bilhões nos parques de energia eólica, e sua capacidade de produção cresceu 26,2% no período; hoje, o Brasil é o oitavo maior produtor do mundo

Conteúdo atualizado em 14/11/2018, com novas informações da ABEEólica

Até o fim de 2019, a energia gerada a partir da força dos ventos deverá ser a segunda principal fonte de energia do Brasil, atrás somente da energia hidrelétrica. De acordo com dados divulgados pela Associação Brasileira de Energia Eólica (ABEEólica), esta fonte energética foi responsável por por 8,4% da produção de energia do país nos últimos 12 meses - em setembro de 2018, chegou a abastecer 14% de todo Sistema Interligado Nacional (SIN).

“A eólica tem demonstrado uma vitalidade impressionante em pouco tempo. Todos estes números mostram não apenas um setor consolidado, mas demonstram que a energia eólica tem um futuro promissor no Brasil”, afirma Elbia Gannoum, presidente Executiva da ABEEólica, em comunicado.

O dois últimos anos foram especialmente positivos para a indústria da energia eólica no Brasil. Apenas em 2017, a infraestrutura instalada gerou a quantidade recorde de 40,46 TWh de energia, o que significou um crescimento de 26,2% em relação ao ano anterior e foi responsável pelo abastecimento de cerca de 22 milhões de residências, o equivalente a 67 milhões de pessoas. No cálculo que considera o período de setembro de 2017 até agosto de 2018, foram gerados 47 TWh de energia eólica - e abasteceu 25 milhões de casas. 

“No Brasil, apesar de relativamente recente, já que se desenvolveu com mais força nos últimos oito anos, a energia eólica já é uma fonte consolidada, com uma indústria 80% nacionalizada e com ótimas perspectivas de crescimento e investimento. No ano passado [2017], a indústria eólica investiu R$ 11,4 bilhões no Brasil”, contextualiza Gannoum. “Todos estes números positivos mostram não apenas um setor consolidado, mas também que a energia eólica tem um futuro promissor no Brasil", concluiu.

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Energia eólica no Brasil em relação ao mundo

No início de 2018, o país subiu para a oitava posição no ranking mundial do Global Wind Energy Council (Gwec) - até 2012, o Brasil ocupava o modesto 15º posto na lista. Hoje, a capacidade instalada brasileira é de 14,34 GW, distribuídos em 568 parques eólicos com 7.000 aerogeradores em operação de 12 estados brasileiros - 80% deste total está instalado no Nordeste.

Na distribuição global da produção de energia eólica, o Brasil representa apenas 2%, quantidade similar à da França (sétima colocada no ranking) e à do Canadá (nono colocado). À frente, estão Reino Unido (sexto), Espanha (quinta), Índia (quarta), Alemanha (terceira), Estados Unidos (segundo) e China (líder).

A China é, de longe, a que mais produz energia a partir dos ventos. Sua capacidade produtiva foi de 188 GW em 2017, equivalente a 35% de tudo que foi gerado pela matriz eólica no planeta - os EUA produziram 89 GW, ou 17% do total. Além disso, os chineses também são os que mais investem: só no ano passado, foram 19,6 GW instalados, ou 37% de todo o investimento global no setor.

Futuro da energia eólica no país e no mundo

De acordo com o Global Wind Energy Outlook, podemos prever um futuro no qual a energia produzida a partir dos ventos forneça 20% da eletricidade de todo o mundo até 2030. Até lá, esta indústria poderá gerar mais de 2 GW e 2,4 milhões de empregos, além de reduzir as emissões de carbono em cerca de 3,3 bilhões de toneladas por ano. "O Acordo de Paris significa que precisamos produzir uma eletricidade descarbonizada até bem antes de 2050 e a energia eólica será protagonista dessa mudança", afirmou em comunicado Steve Sawyer, secretário geral do Gwec.

O crescimento do parque eólico brasileiro é fundamental para que o país cumpra o acordo climático voluntariamente assumido pelo governo federal, em 2009. Na COP-15, em Copenhague, o Estado brasileiro se comprometeu a cortar as emissões de gases de efeito estufa entre 36,1% e 38,9% em comparação com o então cenário até 2020. “A energia produzida pelos ventos é renovável, não polui, possui baixíssimo impacto ambiental e não emite CO2 em sua operação”, explica a presidente da ABEEólica.

Além do ganho ambiental, a implementação de novas usinas de energia eólica gera fatores positivos para as economias locais. Nas propriedades de terra onde estão instalados aerogeradores, é possível realizar outras atividades produtivas. E também se trata de uma indústria capaz de produzir emprego em regiões mais remotas e menos desenvolvidas do ponto de vista econômico.

Entre os estados brasileiros, o maior produtor é o Rio Grande do Norte, com 146 parques e produção de 3.949,3 MW - cada MW instalado representa 15 postos de trabalho. No pico de produção, a soma dos parques eólicos do Nordeste pode abastecer mais de 70% da necessidade energética da região.

A ABEEólica informa que até 2024, serão instalados mais 4,46 GW em 186 novos parques eólicos, levando o setor à marca de 18,80 GW, considerando apenas leilões já realizados e contratos firmados no mercado livre.