Bill Gates bebe água Janicki Bioenergy

A privada do futuro é muito mais do que um vaso sanitário tecnológico

O vaso sanitário não pode ser mais o mesmo se quisermos economizar água e, mais, resolver o problema de ordem global que é o saneamento básico. Bill Gates já entrou nessa.

Nem sempre a transformação é provocada por um novo produto que é lançado no mercado, mas sim pelo aprimoramento do que já existe. O primeiro iPhone, sem teclado, com tela sensível ao toque e uma loja de aplicativos, que o diga. O mesmo está acontecendo com a privada. Sim, estamos falando daquele objeto que você tem no seu banheiro. O vaso sanitário do futuro ainda não existe como produto, mas está a caminho, e é peça fundamental não apenas para ajudar você a reduzir o desperdício de água em casa como também para garantir que o saneamento básico chegue a todas as pessoas e deixe de ser um problema de ordem global.

Segundo dados de 2013 das Nações Unidas, enquanto 6 bilhões das 7 bilhões de pessoas que existem no mundo têm acesso a um telefone celular, apenas 4,5 bilhões têm acesso a um banheiro que funciona. Os outros 2,5 bilhões têm um saneamento deficitário, sendo que cerca de 1,1 bilhão ainda faz suas necessidades ao ar livre.

Saindo da escala macro e voltando à escala micro, sabe-se bem que os banheiros são, em disparado, a principal fonte de uso de água dentro de casa, representando cerca de 30% do consumo do recurso de um lar. Os banheiros mais antigos e ineficientes chegam a usar de 22 litros a 26 litros de água por descarga. Os mais novos fazem mais com menos, mas a quantidade ainda é alta, cerca de 5 litros por descarga segundo dados da Agência de Proteção Ambiental dos Estados Unidos (EPA, na sigla inglês), que criou o selo WaterSense para privadas que necessitam de até 6 litros por descarga. Mas isso ainda não é o bastante nem para resolver a questão do saneamento básico, nem do desperdício de água.

O futuro do vaso sanitário passa pelas mãos de Bill Gates

Bill Gates - mais conhecido como fundador da Microsoft, mas hoje também um grande filantropo - lançou em 2011 uma competição chamada de Reinvent the Toilet Challenge (“Desafio da Reinvenção da Privada”, em tradução livre). Quem levou o primeiro lugar foi o Instituto de Tecnologia da Califórnia (Caltech, EUA), que recebeu um prêmio de US$ 100 mil pelo projeto de um vaso sanitário que não usa água e, com energia solar, alimenta um reator eletroquímico para gerar hidrogênio e eletricidade.

Caltech privada com energia solar
O estudante Clement Cid, da Caltech, posa ao lado do projeto vendedor. Foto: Caltech/Divulgação

Deste então, Gates não parou. Em 2016, por meio da Fundação Bill e Melinda Gates, investiu US$ 6,3 milhões na Firmenich, uma das maiores fabricantes de fragrâncias do mundo. A ideia é identificar os elementos que fazem as fezes cheirarem mal e criar um cheiro que faça com que o cérebro humano não perceba tal odor. Pode parecer estranho, mas um dos desafios para o saneamento básico em países subdesenvolvidos é o mau cheiro. Muitas pessoas que vivem em más condições sanitárias evitam banheiros rudimentares, grande parte deles construídos em fossos, para fugir do odor, optando assim por defecar ao ar livre.

 

 

Outra inovação que vem recebendo investimento da fundação é a OmniProcessor, da empresa familiar Janicki Bioenergy. Trata-se de uma máquina capaz de transformar fezes em água potável, energia elétrica ou cinzas. Bill Gates até provou da água que saiu do equipamento para mostrar o quanto aposta na invenção.

Inspirações que vem do Japão e do Brasil

Uma das inspirações para o vaso sanitário do amanhã vem do Japão, país que será sede dos Jogos Olímpicos de 2020 e que, por esse motivo, já está atualizando seu “parque de privadas públicas”. Não só porque seus banheiros com privadas tecnológicas são praticamente pontos turísticos, mas porque cerca de 4 mil banheiros públicos de Tóquio são de uma versão antiga, com a privada no nível do chão, o que afasta, e muito, os ocidentais.

Assento com calefação, um bidê mais encorpado e um botão que, uma vez acionado, dispara um barulho de cascata para disfarçar ruídos incômodos. Esses são alguns dos recursos dos vasos sanitários japoneses, sendo os mais populares fabricados pela Toto e pela Lixil. Mas, como nem toda privada precisa ser de alta tecnologia, a Lixil criou a Sato, um vaso sanitário de baixo custo desenvolvido com o apoio financeiro da Fundação Bill e Melinda Gates. O objetivo da Lixil, que transformou o produto em um divisão de negócios recentemente, é espalhar essas privadas baratas e eficazes para os bilhões de pessoas no mundo que ainda não têm acesso a um banheiro decente.

Parte da inteligência do vaso sanitário Sato está na forma como ele cria uma barreira entre os usuários e seus resíduos e em como esses resíduos são devolvidos para a terra de forma que xixi e cocô virem compostagem. O Sato foi inventado em 2012, e no final de 2017 ganhou uma atualização. A nova geração de produtos incorporam uma simples, mas inteligente, porta de fechamento dos poços que reduz a transmissão de doenças e minimiza odores.

Além disso, o Sato vem com uma peça que fica embaixo da bacia com um design em "V" que conecta os poços individuais. Este mecanismo torna a conexão entre os dois poços mais fácil e elimina os riscos de entupimento. E mais: a nova geração precisa de 80% menos água por descarga que a anterior.

Sato Lixil vasos sanitários de baixo custo
O Sato foi inventado em 2012, e no final de 2017 ganhou uma atualização. Foto: Lixil/Divulgação

A Índia é um dos países com mais problemas quando o assunto é saneamento básico e por isso é alvo da Sato. Desde o lançamento da Missão Swachh Bharat, uma iniciativa do governo para erradicar a defecação aberta até 2019, o número de pessoas que ainda defecam ao ar livre caiu de 550 milhões para cerca de 320 milhões de pessoas. Já a Lixil se comprometeu, em 2012, a melhorar o acesso ao saneamento e à higiene para 100 milhões de pessoas no mundo até 2020.

Igualmente eficaz é o Piipee, uma solução brasileira idealizada em 2010 por Ezequiel Vedana da Rosa que elimina em 100% o uso da água ao urinar. Ou seja, você não precisa dar descarga sempre que fizer xixi. Ao urinar, você não deve acionar a descarga, mas sim o Piipee, que libera na bacia sanitária uma solução biodegradável e ecologicamente correta que trabalha nas características físico-químicas da urina, removendo o odor, alterando a coloração, e higienizando o banheiro, sem água. Segundo dados da empresa, já são mais de 6 milhões de litros de água economizados só no Brasil.

O que fazer?

A mudança pode começar em casa, quando você estiver construindo ou reformando seu banheiro. O site da Agência de Proteção Ambiental dos Estados Unidos (EPA, na sigla inglês), que criou o selo WaterSense para privadas que usam até 6 litros por descarga, possui uma ferramenta para você encontrar a privada mais econômica para a sua casa, com marcas que vendem em todo o mundo - inclusive no Brasil.

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Acelerada pelo Braskem Labs 2016, Piipee foi a empresa que mais se destacou pelo número de conexões e negócios viabilizados durante o programa de aceleração. Além de ter fechado contrato com a própria Braskem para instalação do Piipee nos sanitários de suas fábricas no Brasil, o Piipee também fornece sua solução para empresas como Vale, Arcelor Mittal, Enel, Mdias Branco, Oxiteno e Ypioca.

Braskem Labs é uma plataforma de aceleração de start ups que possuem soluções que atendam os anseios da sociedade utilizando a química ou plástico. A plataforma Braskem Labs contempla três programas que têm por objetivo fortalecer o relacionamento da Braskem com empreendedores inovadores em diferentes estágios de desenvolvimento do seu negócio, ajudando-os com troca de conhecimento, mentoria e networking.