World Cleanup Day. Crédito: Divulgação

World Cleanup Day acontece dia 15 de setembro com diversas atividades

Programa convoca voluntários do mundo todo para combater o problema de resíduos sólidos, detritos marinhos e descarte inadequado em geral. As mobilizações anuais duram 24 horas e incluem ações nas redes sociais

Um quilo e 200 gramas por dia. A estimativa da Organização das Nações Unidas (ONU) é de que cada pessoa produza, em média, 1,2 kg de resíduos sólidos urbanos (RSU) diariamente. Sete bilhões de seres humanos produzem 1,4 bilhão de toneladas por ano. Mas daqui a dez anos serão 2,2 bilhões de toneladas anuais. Se continuarmos no mesmo ritmo, em 2050 teremos 9 bilhões de habitantes no planeta e 4 bilhões de toneladas de lixo urbano por ano.

O problema dos resíduos sólidos se concentra, sobretudo, no descarte inadequado: aterros, entulhos, esgoto, poluição marinha. Foi pensando nisso que um grupo de pessoas na Estônia se reuniu há 10 anos e criou uma ação que mobilizou 4% da população do país para sair às ruas e limpar os resíduos despejados ilegalmente, em questão de horas.

O World Cleanup Day cresceu e hoje envolve 5% da população mundial - 150 países estão comprometidos com a chamada "onda verde", que começa na Nova Zelândia e termina 36 horas depois, no Havaí. Todos trabalhando por um planeta limpo e saudável. “Temos consciência de que limpar as ruas em um dia não vai resolver o problema. Mas a ideia é mobilizar as pessoas e mostrar a quantidade de lixo descartado de maneira irregular. Sensibilizar as pessoas para que comecem a descartar resíduos adequadamente”, explica a bióloga Elisângela Rodrigues, professora das Faculdades Metropolitanas Unidas (FMU).

“Queremos mostrar a importância da separação [do resíduo]. Papel e plástico não são lixo. É material reaproveitável, reciclável e vale dinheiro.” Elisângela conta que o bairro da Liberdade, em São Paulo,  onde dá aulas, é majoritariamente comercial e o movimento de alunos é intenso. Dessa maneira, a ação para o Cleanup Day procurou envolver alunos e pessoas que trabalham na região para participarem dos eventos de preparação e também das atividades no dia 15.

Heleno Oliveira também é professor, dá aulas de geografia na rede Municipal e Estadual de ensino e integra a Rede Geração Solidária, que atua na zona norte de São Paulo. Depois dos eventos preparatórios, que incluíram mutirão de limpeza, oficinas de educação ambiental, compostagem, plantio de mudas, gincana ambiental e atrações culturais, ele espera mobilizar pelo menos mil pessoas no sábado.

“Queremos despertar as pessoas para a necessidade de vivermos em uma cidade mais limpa, sustentável e mais solidária. Mostrar para os governantes que é essencial uma política de educação ambiental eficaz”, diz Oliveira. Ele atende crianças a partir de 10 anos, mas seus alunos chegam a faixa etária dos 70. Oliveira decidiu fazer parte das mobilizações por acreditar no poder da educação e das ações individuais que têm impacto na experiência coletiva. “As pessoas podem e devem fazer a sua parte. Somos responsáveis pelo lixo que produzimos e não devemos esperar ações somente do poder público.”

Limpando um país inteiro

No Brasil, 343 cidades, 25 estados e 22 capitais vão participar do Dia Mundial da Limpeza. Diversas iniciativas estão representadas no esforço nacional nessa data: organizações não governamentais, governos, universidades, empresas, associações, escolas públicas e privadas. O Instituto Limpa Brasil, grande promotor da campanha, realiza, só em São Paulo, 19 ações voluntárias de cunho socioambiental entre os dias 14, 15 e 16. No dia 15 as ações acontecem em 5 áreas da cidade: Parque do Ibirapuera, Parque Cândido Portinari, Parque Raposo Tavares, Avenida Liberdade e na Praça Comandante Eduardo de Oliveira.

Frederico Duarte, coordenador do Limpa Brasil São Paulo em ações do Dia Mundial da Limpeza, explica que no Parque Raposo Tavares a programação consistirá em uma palestra do Instituto Akatú sobre o ciclo de vida do plástico. Também será apresentada uma breve história do Parque, que no passado foi um lixão e agora está totalmente revitalizado, além do mutirão de limpeza e triagem dos resíduos coletados na cooperativa de material reciclável local. As ações acontecem em parceria com o programa de voluntariado da Braskem e Fundação Greenfinity, além da Prefeitura de São Paulo e da Secretaria do Verde e Meio Ambiente.

“Meu desejo é que haja mudança de comportamento em relação ao consumo. Já observamos esforços que buscam mudança, muito por conta da tecnologia na comunicação que possibilita a consciência dos consumidores em relação aos processos produtivos. Entretanto, a educação ambiental é na verdade uma questão cívica. Discussões em sala de aula sobre o tema e percepções sobre o espaço público é chave, em minha opinião. A campanha traz essa bandeira com uma interdisciplinaridade, pois são muito países participantes, culturas e realidades distintas que partilham de um mesmo objetivo.”

Mas as atividades não terminam nessa data. Quem quiser participar pode baixar o aplicativo World Cleanup e ajudar a mapear o lixo que encontrar. Basta tirar a foto, ativar o localizador e marcar exatamente o local em que o resíduo foi descartado. Depois que tomar as providências para a limpeza, tirar uma nova foto. O mapa ajuda a identificar locais viciados de descarte irregular, fazer relatórios e pensar políticas públicas específicas para cada região.