Nobel Prize. Credit: Shutter

Precursores do crescimento sustentável ganham Nobel de Economia

O prêmio homenageia o trabalho de Nordhaus e Romer, pesquisadores que salientam a importância da sustentabilidade e da responsabilidade ambiental em seus estudos sobre macroeconomia

O prêmio Nobel de Economia 2018 foi atribuído aos americanos William Nordhaus e Paul Romer. Os dois pesquisadores encontraram, cada um em sua especialidade, métodos para abordar o tema da sustentabilidade aliado à necessidade de crescimento econômico, incluindo dados sobre a mudança climática e inovações.

O prêmio foi anunciado pelo professor Göran K. Hansson, secretário geral da Royal Swedish Academy of Sciences, no começo de outubro. O professor Per Krusell, membro do comitê do Prêmio Nobel para Ciências Econômicas, explicou que, “quando você abre um livro de economia, normalmente encontra algo sobre os ciclos dos negócios e flutuações de curto prazo, como desemprego e alta ou baixa da inflação”.

“Com macroeconomia é diferente. É sobre de onde vem o crescimento econômico. Paul Romer tenta entender porquê alguns países crescem e outros não, porquê o mundo cresce na atual velocidade e o que explica o progresso tecnológico. Romer explica quais são as boas pré-condições para o crescimento econômico saudável.”

Segundo a Academia Real de Ciências, Nordhaus, da Universidade de Yale, foi premiado por “integrar a mudança climática na análise macroeconômica de longo prazo”. Já Romer, da Escola de Negócios da Universidade de Nova York (NYU), por “integrar as inovações tecnológicas na análise macroeconômica de longo prazo”.

“Eu penso que o que Nordhaus fez foi prestar atenção em outras ciências. Isso está muito na moda hoje em dia, mas nos anos 1970 não era muito comum que as ciências econômicas fossem fundo nas ciências naturais”, diz Krusell.

A nota oficial da Academia ressalta, ainda, que, “na sua essência, a economia lida com a gestão de recursos escassos. A natureza dita as principais restrições ao crescimento econômico e nosso conhecimento determina quão bem lidamos com essas restrições”.

Os premiados deste ano foram considerados por “ampliarem significativamente o escopo da análise econômica ao construir modelos que explicam como a economia de mercado interage com a natureza e o conhecimento”.

Conheça melhor os homenageados

Ambos os pesquisadores destacados desenvolveram trabalhos tendo como principal perspectiva o equilíbrio entre as necessidades coletivas das nações e o tráfego financeiro da sociedade, além da necessidade cada vez mais urgente de calcular os impactos ambientais de nossas decisões que reverberam por décadas.

Paul Romer é economista e empresário político e diretor do Marron Institute of Urban Management. A colaboração de Romer demonstra como o conhecimento pode funcionar como um impulsionador do crescimento econômico de longo prazo.

A solução de Romer, publicada em 1990, lançou as bases do que hoje é chamado de Teoria do Crescimento Endógeno. Ela explica como as ideias são diferentes de outros bens e exigem condições específicas para prosperar em um mercado.

O pesquisador demonstra como as forças econômicas governam a disposição das empresas para produzir novas ideias e inovações. A teoria de Romer gerou uma grande quantidade de novas pesquisas sobre os regulamentos e políticas que incentivam novas práticas para gerar e cultivar a prosperidade.

Já as descobertas de William Nordhaus tratam das interações entre a sociedade e a natureza. Nordhaus decidiu trabalhar com o tema de sustentabilidade na década de 1970, quando observou a crescente preocupação dos cientistas a respeito da dependência da civilização dos combustíveis fósseis, resultando no aquecimento global.

Em meados da década de 1990, ele se tornou a primeira pessoa a criar um modelo de avaliação integrada, um sistema quantitativo que descreve a interação global entre a economia e o clima. Seu modelo integra teorias e resultados empíricos da física, química e economia.

O modelo de Nordhaus está amplamente difundido e é usado para simular como a economia e o clima coevoluem. Ele é usado também para examinar as consequências das intervenções de políticas climáticas, como por exemplo a criação de impostos sobre carbono.

 

Conheça o posicionamento da Braskem na íntegra acessando: http://www.braskem.com/economiacircular